
A partilha do conhecimento, através de livros ou artigos, não servem apenas para refletir. Certamente, terão impacto nas futuras atitudes e crenças acerca dos temas partilhados. O intuito é enriquecer as relações, nomeadamente, entre os pais e os filhos.
O livro permite à criança imaginar, sonhar, criar, inventar mas também identificar. Existem histórias que nos ajudam a crescer, a gerir emoções, a compreender comportamentos e a entender que, apesar da diferença que nos rodeia, podemos ser felizes.
É um livro escrito e forma simples, leve e na positiva. Pretende atenuar a carga negativa que a separação conjugal pode causar na criança. Também permite adequar a história à realidade de cada família.
As crianças poderão identificar-se com o personagem e sentirem que o mais importante é sermos amados nas diversas "casas da nossa vida". Aos pais, um livro infantil pode ser, acima de tudo, um instrumento para viver um bom momento comos filhos, uma forma de comunicação e de enriquecimento familiar. Os profissionais na área da educação poderão utilizar-lo como uma ferramenta para falar no tema.
Proteção em demasia é “desproteção”
Todas as espécies protegem as suas crias. É um sentimento inato e desenvolvido face à dependência e ao amor dos seres tão imaturos e frágeis. Mas a proteção é também desenvolver a autonomia. Por exemplo, os pássaros promovem que as suas crias voem, os felinos que aprendam a caçar e outros tantos exemplos que promovem a independência como forma de “proteção”, para se adaptarem ao meio e às dificuldades e, em último caso, como forma de sobrevivência.
Assim sendo, não se intende que os seres humanos, em sentido de extrema proteção, condicionem a autonomia dos filhos. Inconscientemente estão a desprotegê-los do mundo. Em muitos casos, tornam-se crianças com poucas estratégias sociais, afetivas e até de comportamento, inadaptadas a novos contextos por falta de ferramentas que lhes permitam ultrapassar novos desafios e obstáculos diários.
Estas dificuldades são facilmente observáveis em meio escolar mesmo em pequenas tarefas. Por exemplo, são crianças que demonstram resistência e/ou dificuldades em descalçar ou calçar sapatos, em comer, em ir à casa de banho sozinhas, entre outros exemplos que, por menores que pareçam, geram constrangimento às próprias e estranheza às outras que conquistaram essas autonomias e as aplicam descontraidamente. Para essas crianças, à partida, a escola não será uma “zona de conforto”, consequentemente, poderão haver repercussões sociais, psicológicas e no seu desenvolvimento.
Recomendo que os pais enriqueçam os filhos com adequadas estratégias de resolução de situações do quotidiano, de autonomia e de confiança. Permitam que eles se vistam sozinhos mesmo que demorem tempo, que comam sozinhos, mesmo que sujem a roupa, que façam a sua higiene mesmo que não fique perfeita, que realizem tarefas e que assumam algumas responsabilidades. Provavelmente, as crianças terão mais sucesso na escola, sem tantas angústias e dificuldades de adaptação.
Textos de desenvolvimento infantil e promoção do sucesso escolar/2017
Psicóloga Patrícia Fonseca

Regras e disciplina, para que vos quero?
o contexto, devemos permitir que sejam crianças, com o tal limite que estipulamos e clarificamos desde o início – estabilidade ao longo do tempo. Por exemplo, se permito que os meus filhos cantem alto na rua porque me sinto contente, não devo proibi-los de fazerem o mesmo, no dia seguinte, porque estou cansada ou chateada. De igual forma devemos proceder com o limite que se impõe nas regras – isto é, deixo as crianças cantar mas já não permito que corram na rua, perto da estrada, porque é perigoso e elas sempre souberam disso. Os limites e a estabilidade nas regras devem ser cultivados desde cedo, com o bom senso de possibilitar o desenvolvimento saudável, dizendo NÃO de forma coerente e assertiva.
Desta forma os pais devem,
Os castigos devem ser aplicáveis e cumpridos. Os pais devem ponderar e acordar previamente as estratégias educativas a aplicar aos seus filhos. Castigar por impulso e de forma exagerada, tende a ser impraticável e vai desconsiderar a palavra e o respeito que os filhos devem desenvolver pelos pais. É importante lembrar que se os pais não cumprem o que prometem não podem exigir que os filhos o façam.
Os pais devem ter em consideração que,
A valorização é sempre a melhor opção em detrimento à crítica negativa. É fundamental perceber as reais dificuldades das crianças e reforçar a sua autoconfiança. Lembrar que cada criança tem o seu ritmo e as suas aptidões - não fazer comparações com as outras. Os seus filhos devem entendem que, para atingir o sucesso, devem experimentar, tentar e errar e aplicar algum esforço e/ou empenho nas tarefas. Para isso, os pais devem continuamente e de forma ajustada, promover a confiança e as autonomias necessárias para a faixa etária em que a criança se encontra;
Ambos os pais devem estar de acordo perante as regras, mesmo no caso dos pais separados. Um não deve desresponsabilizar ou criticar o outro perante a criança. Mais uma vez, reforço a importância do acordo prévio das regras, normas, permissões e comportamentos;
Existir uma separação saudável entre a conjugalidade e a parentalidade. Isto é, os pais devem estar sempre juntos na parentalidade independentemente da sua conjugalidade. As crianças têm esse direito! A conjugalidade é do casal e, certos comportamentos, temas e/ou decisões devem apenas pertencer aos adultos. Os sentimentos de amor familiar devem ser sempre partilhados, seja em famílias com os pais juntos ou separados;
Estar presente na vida escolar dos filhos - é importante para ambas as partes. Os pais tomam conhecimento de aspetos fundamentais acerca dos filhos e as crianças desenvolvem, entre muitos, sentimentos de pertença, de proteção e de responsabilidade.
Textos de desenvolvimento infantil e promoção do sucesso escolar/2017
Psicóloga Patrícia Fonseca

Muitos pais têm dificuldade em estabelecer as regras aos seus filhos. Devemos perceber qual é o limite, o que devemos permitir ou não às crianças. Em primeiro lugar, em condições normais, elas são enérgicas, alegres e vivem para o presente. Assim, devemos esperar que corram e saltem, que cantem e que falem alto, que riam, que chorem, que façam barulho a brincar e a inventar, que peçam coisas e que, por vezes, sejam desastradas. Por isso, mediante
INTELIGÊNCIA EMOCIONAL COMO ALAVANCA DA PRODUTIVIDADE LABORAL
Segundo Goleman, (in GOLEMAN, Daniel.2010. Inteligência Emocional. Temas e Debates) a inteligência emocional é a “capacidade de identificar os nossos próprios sentimentos e os dos outros, de nos motivarmos e de gerir bem as emoções dentro de nós e nos nossos relacionamentos”. Assim, as pessoas com grande inteligência emocional, contêm uma boa auto-perceção, um bom autocontrolo, auto motivam-se, são empáticas e desenvolvem adequadas práticas sociais em equipa. O facto de conterem esta autoanálise também permite reconhecer nos outros os seus sentimentos e atitudes.
A criatividade vem acrescentar uma grande mais valia ao sucesso numa pessoa provida de inteligência emocional. Isto porque, em qualquer área de atividade humana, as pessoas com estrutura emocional sólida, motivadas e criativas, conseguem melhor produtividade e consequentemente destacam-se entre as demais. A satisfação pessoal e profissional são evidentes e promotoras de saúde física e mental. Um bom líder possui uma boa inteligência emocional.
Contudo, a aquisição de inteligência emocional necessita de aprendizagem e treino. Ninguém nasce dotado de todas estas competências. Elas devem ser reconhecidas, aplicadas e apreendidas. É evoluir e aprender consigo próprio em detrimento à comparação que habitualmente fazemos em relação às atitudes dos outros. Se tentarmos “olhar” para o nosso comportamento e corrigi-lo ou melhorá-lo iremos tornarmo-nos cada vez melhores pessoas e profissionais, com capacidade de desenvolver uma boa inteligência emocional.
A motivação poderá ter mais peso no sucesso profissional que muitos saberes teóricos no exercício da função. Um funcionário motivado não se acomoda nem fica estanque. É persistente, acredita no seu trabalho, desenvolve formas adequadas de comunicar, cumpre os seus objetivos, cultiva bons relacionamentos, tem interesse em aprender, procura apoio, gosta de trabalhar em equipa e utiliza a criatividade na solução dos problemas. É desenvolver uma boa inteligência emocional, é desenvolver um trabalho de qualidade com satisfação.
Publicação / Jornal da SCMC de Setembro de 2012
Psicóloga Patrícia Fonseca
Ao longo dos anos a observar e a apoiar famílias e crianças tenho concluído que, na maior parte dos casos, as crianças mais frágeis foram as mais protegidas pelos pais/família. Têm muitos medos, inseguranças, poucas estratégias de resolução de conflitos e fraca preparação para ultrapassar os desafios do quotidiano.

Namoro na terceira idade
Os relacionamentos interpessoais, nomeadamente, os relacionamentos amorosos são o pilar da vida, independentemente da idade, raça ou classe social. Desenvolver um relacionamento amoroso faz bem ao corpo, alivia tensões e aumenta a autoestima. Teoricamente, estes factos são aceites. Contudo, a sociedade, apesar de moderna, demonstra comportamentos de preconceito baseados na crença que apenas os corpos jovens estão aptos à sexualidade.
Um novo casal idoso tem dificuldade em iniciar um namoro, não só por fatores de ordem fisiológica, mas principalmente pela não-aceitação familiar e social. Nos acompanhamentos que tenho realizado ao longo dos anos, julgo que é comum que a família não aceite que o idoso namore porque, mantém a crença que esse facto vai denegrir/trair a imagem do parceiro anterior e, que este vai valorizar este novo relacionamento em detrimento aos relacionamentos familiares ou, ainda, (em alguns casos), que seus bens e valores sejam para este novo companheiro e não para a família. Também importa referir que o preconceito social que recai nestes casais é abrangível à família que, inevitavelmente, vai sentir “vergonha” da opção do seu familiar idoso.
No entanto, o mais importante é que, de facto, a afetividade amorosa mantém-se presente em todas as fases da vida, sendo determinante para o envelhecimento saudável. As pessoas idosas querem ter companheiros como forma de proteção, pois sentem que estar só gera tristeza e desesperança. A entreajuda que renasce nestes relacionamentos é indispensável mas, essencialmente, muito agradável.
Quando o casal vence o medo e o preconceito, vivem esta nova fase como um caminho para a vida e não, como a maior parte do sentimento que invade os idosos, um culminar para a morte. Assisti de perto pessoas que iniciaram namoros tardios que, atenuaram sintomas e problemas relacionados com o envelhecimento, motivados para serem mais autónomos, ágeis e felizes.
Os amantes mais maduros poderão vivenciar emoções e prazeres de forma mais intensa e plena e, ao mesmo tempo, seguras e calmas, dada à experiência adquirida ao longo do tempo. Assim, tornam-se mais estáveis e confiantes entre ambos e o relacionamento mais harmonioso e sábio.
Aos novos e futuros casais recomendo que enfrentem os medos e uma sociedade preconceituosa pois a felicidade do dia-a-dia será mais compensadora.
Publicação / Jornal da SCMC em Junho de 2012
Psicóloga Patrícia Fonseca

Família e Institucionalização
Como definição de família entende-se que “é unidade básica da sociedade formada por indivíduos com ancestrais em comum ou ligados por laços afetivos e que normalmente residem juntos”. Será que esta enunciação de família faz sentido a quem se encontra institucionalizado?
De facto continuam com ancestrais comuns. A ligação afetiva, em principio estará presente mas, a Institucionalização veio modificar por completo o modo de coabitação com os familiares e amigos.
Nesta mudança tão radical na vida de um idoso – a Institucionalização – normalmente, a família passa a ser sobrevalorizada devido ao possível afastamento, ao aumento da sua dependência, à mudança de espaço, à modificação completa dos hábitos e costumes e aos sentimentos e medos que esta nova etapa acarretam.
Um dos sentimentos mais comuns no idoso é a preocupação de não sobrecarregar os seus familiares nos cuidados que necessita. Daí surge a conformação de uma institucionalização. Mas, quando a família se torna ausente, o idoso sente-se como pouco amado já que foi essencialmente por amor que optou/aceitou essa nova condição de vida.
A distancia e/ou a ausência dos seus familiares vão criar preocupações acrescidas e sentimentos de impotência face a um cuidador familiar de longa data que, a certa altura, necessita de ser cuidado.
Uma palavra de carinho, um abraço de conforto, um gesto de amor são as melhores terapêuticas à dor física e emocional. Daí surge a questão das famílias: “Quando o meu familiar ingressou no lar não estava assim…como é possível piorar com as boas condições que tem aqui?” Com o exposto, a resposta a esta questão é clara. Por melhor que sejam as Instituições e funcionários, a família é e será sempre fundamental para uma boa adaptação à Instituição e para a promoção da saúde.
Publicação / Jornal da SCMC em Abril de 2012
Psicóloga Patricia Fonseca

"Como refere Balancho (2003), a família ideal e perfeita nunca existiu nem nunca
existirá. Todos nós temos um esboço dessa família na nossa imaginação e
tentamos pô-la em prática através da adaptação aos tempos, às necessidades e
às mudanças".



Existem inúmeros manuais de apoio dirigidos a pais e a educadores mas, existem muito poucos que ajudem a criança a compreender e a gerir as suas emoções perante situações familiares ou sociais tão frequentes hoje em dia. Este projeto iniciou-se em Outubro de 2017 com o lançamento do primeiro livro da coleção “O Martim mora em duas casas”, da qual permitiu ajudar as crianças nas dificuldades e emoções sentidas inerentes da separação conjugal.
O livro “O Maxi no mundo de Santiago” descreve os sentimentos e as difculdades de uma criança autista. Desta forma, irá permitir conhecer e gerir algumas emoções inerentes à problemática. Ainda promove a aceitação da diferença. Todas as crianças devem entender as dificuldades e, consequentemente, desenvolver atitudes de cooperação, amizade, solidariedade e afeto.
Os pais e os profissionais na área da infância, poderão utilizar o presente livro como um instrumento de trabalho previligiado na promoção de inúmeros valores e atitudes positivas nos mais novos.

